quarta-feira, 12 de maio de 2010

Fashion moment 3: Os homens podem ou não usar saia?


Queridas pessoas de todos os sexos, gêneros, números (grávidas estão no plural, certo?) e graus (etílicos):

Outro dia, lendo a coluna da Betty Milan na Veja, fiquei tocada com a angústia desse moço. Decidi expor o caso a vocês, já que aqui no Varal a gente adora falar de roupa, e quem sabe alguma das psicólogas que nos frequentam pode ajudar com uma opinião?

Morei nos Estados Unidos quase cinco anos e lá comecei a ver alguns caras usando kilt. Descobri que há um movimento de homens que querem usar saia em vários lugares do mundo: EUA, Canadá, Europa, Argentina e recentemente Brasil. Antes da II Guerra Mundial, as mulheres não podiam usar calças e agora podem usar tudo. Por que os homens não têm a mesma liberdade de escolha, por que se privam, por que essa repressão? O fato é que eu agora quero poder usar saia em qualquer lugar.


O que vocês acham? Hein? Hein? Homem pode usar saia?

Quem quiser ver a resposta da dona Betty, vai lá. Eu quero ver as nossas.

Beijos e vivam Caetano, Gil e suas saias!

Fui.

Darling Darling

domingo, 9 de maio de 2010

Sopa de perfume

Existem três tipos de mulheres (e acho que de homens também):

1- as que não engordam nunca, por terem sido eleitas, devido a alguma razão cármica, na roda da Fortuna celeste;

2- as que engordam e não ligam, por negação maluca ou por estarem na pós modernidade e não participarem inexplicavelmente das exigências estéticas atuais;

3- e as que fazem/ou tentam fazer regime;

Para as do terceiro grupo alguns passos antecedem a grande decisão de FAZER REGIME.
Primeiro a gente finge que não vê, damos todas as desculpas imagináveis que vão desde a retenção de líquidos, a semana do mês, a fase da lua, a posição da luz no espelho que desfavorece, roupas que encolheram...

Nesse período escolhe-se calças largas, blusas mais compridas, e pretas, saltos mais altos e todas as artimanhas existentes para parecer mais magra.

Porque quando nos sentimos gordas não nos vestimos, nos disfarçamos.
Uma calça mais comprida para diminuir o quadril, uma bata para disfarçar a barriga, um brinco reto para afinar o rosto.

Eis que em certa manhã sua negação falha e você escolhe do guarda-roupa uma calça jeans...que não entra.
É oficial, você engordou, ou as suas calças se reuniram no armário e prepararam um motim contra a sua auto-estima.
E contra o que nos ensina “O Segredo”, você não emagrece com sua incrível força de vontade de se imaginar linda e magra naquele vestido que comprou e nunca usou.

Esse é o momento da decisão desesperada. Você vai ao supermercado e compra uma revista que estampa descaradamente na capa alguma solução incrível para o seu problema:

“Emagreça 5 kg em 3 dias dormindo”
“Nova dieta da melancia”,

e segue para casa com um arsenal de sopas em saquinho light, refrigerantes zero, barrinhas de cereais com muita fibra e pouca caloria, sementes de linhaça (que você jura que vai bater com um suco de couve toda manhã, receita infalível segundo a revista)
Ou ainda aquelas que levam o negócio a sério e compram livros,

“Dieta do abdômen”, de “South Beach”, da proteína.

Quem tiver a cara de pau de escrever “Dieta da batata-frita” vai virar um best seller.

Eis que não há outra alternativa, visto que comprar revistas, livros e fazer força com seu pensamento não te fizeram caber de novo na sua calça, se não COMEÇAR O REGIME.

Ao mesmo tempo em que você prevê a falência da sua vida social, já que vai se tornar (iso se conseguir manter o regime até o próximo happy hour) aquela companhia agradável que pede um guaraná zero no bar, não come pizza na pizzaria, recusa o bolo de aniversário. Você tenta comer saborosas castanhas e maçãs de 3 em 3 horas, negar as Kopenhagens que vê pelo caminho e jantar sopas de 47 calorias.
Está escrito no pacote que é de abóbora com queijo, mas é impressionante o cheiro, e o gosto de perfume que a sopa tem.

E enquanto decide se dá pra encarar a sopa de perfume, sem querer você se pega amaldiçoando o fim dos espartilhos (que afina a cintura sem fome ou séries infinitas de abdominais) ou imaginando viver naquela época renascentista de mulheres fofinhas e cor de rosa...


Por Cocobelle

quarta-feira, 5 de maio de 2010

TSP-L


Transtorno sensório perceptivo de loja

Não sei se esse é um sentimento compartilhado por todas as mulheres, mas as que eu conheço ficam muito, muito, muito felizes de saírem para comprar roupas, se estiverem no peso que gostariam e tiverem o dinheiro necessário.

Se não estiverem com o corpo que queriam, ficam muito, muito, muito satisfeitas de sair para comprar bolsa, sapato, perfume, maquiagem, livro, abatjour, toalha, porta-sabonete, fivela de cabelo...

Se não tiverem todo o dinheiro necessário, ficam muito contentes de poder dividir o que compraram em 6 vezes.

Se não estiverem satisfeitas com o corpo e sem dinheiro, sair para fazer compra é por vezes a única coisa que deixa contente e faz parar de pensar que está gorda e pobre. Claro que como toda droga, tem seu efeito rebote mas...

Enfim, as mulheres experimentam uma sensação gloriosa de olhar vitrines e sentir aquele perfume inebriante que algumas lojas têm (desconfio que esses “cheirinhos” tenham ferormônios alucinógenos).

Mas esse momento tem seu lado B, além da culpa esmagadora de comprar sem ter dinheiro, as lojas causam um transtorno perceptivo intrigante.

Você se troca para sair de casa e, a não ser que esteja querendo assustar o vizinho ou convencer um psiquiatra que está deprimida e precisa de receitas especiais que ficam retidas na farmácia, você geralmente procura ficar bonita.
De preferência linda.
O efeito linda é alcançado em momentos pontuais da vida nos quais um grande esforço foi despendido para tanto, como antes da formatura/casamento (cabelo, unha, depilação, tomar sol, vestido, sandália, brinco, perfume e uma enorme quantidade de alegria), ou imediatamente depois de uma noite deliciosa e rigorosamente antes de se estabelecer um relacionamento -com o dito cujo da noite- com suas nóias, cobranças e desencantos.

Você sai de casa tendo feito o esforço diário de ficar bonitinha.
Entra em uma loja e as mudanças perceptuais começam a acontecer à medida em que você experimenta alguma coisa e recoloca sua roupa.

O que tinha parecido bom no espelho de casa fica horrível no da loja, você se pergunta onde estava com a cabeça quando escolheu a calça marrom, essa bolsa velha e a blusa de bolinha.

- Mas eu fico horrorosa de marrom, pareço um urso ou uma toupeira!

Tudo da loja parece 100 vezes melhor que qualquer opção que você tem no seu armário e o efeito intrigante é que essas mesmas coisas que estão na loja perecerão do mesmo triste destino ao irem para o guarda-roupa, perdendo todo o seu brilho e encanto.

Ainda não existe uma vacina contra esse efeito, pesquisas não estão sendo feitas nesse sentido e sua única proteção é tentar lembrar que você está sob o efeito do TSP-L (Transtorno Sensório Perceptivo de Loja) e que ele passa em média de 30 a 60 minutos após sua retirada do local de contágio.

Uma vaia e uma salva de palmas para os marketeiros que criam essas doenças pós-modernas.


Por Cocobelle

sábado, 1 de maio de 2010

Reencontros

Foi um daqueles finais de semana recheados de lembranças, risadas, corações aquecidos e estranhamentos do que um dia foi familiar.
Casamento de uma amiga da faculdade, amigos que vieram para o evento.

-Você cortou o cabelo!
-E o trabalho novo, está gostando?
-E o seu irmão, voltou?
- Agora você tá melhor com relação ao ex?

Entre perguntas verdadeiramente interessadas um pelo outro esses reencontros parecem alternar o jogo: eu-estou-muito-bem-em-tudo-e-minha-vida-é-ótima e o seu contrário, o jogo para dois ou mais participantes: minha-vida-é uma-merda-maior-que-a-sua!!
Amigos de dez anos, rostos, vozes, jeitos de falar, risadas que soam familiares como se estivessem sempre estado ali.
E ao mesmo tempo novos sotaques, novas solidões, empregos diferentes, outros apartamentos.

Na festa, todos nos seus melhores looks, contentes e saltitantes de estarem agora numa fase mais glamurosa da vida na qual uma festa inclui comida.

Diferente da faculdade quando a ordem da balada era ditada pelo bar onde a skol fosse mais barata e no máximo incluía duas iguarias culinárias que se alternavam entre o croissant quatro queijos as 4 da manhã, rigorosamente acompanhado por travestis e o X-tudo do Marcão por R$ 3,99 (esse normalmente encarado apenas pelos homens com H).

A banda começa a tocar e uma excitação animada toma conta de todos.

- Lembra dessa? Nossa, deve ser de 89.

Quando toca Michael Jackson os homens competem pela melhor performance. Sua morte parece ter libertado a classe masculina para as mais incríveis tentativas de moon dance, dançar “Billie Jean” é quase uma homenagem ao rei.
Eis que, ao olhar as caras de interrogação dos adolescentes primos presentes, um insigth acontece:

- Nós somos o público do flash back, esse flash back é pra gente!

Nós que nascemos da década de 80 seremos os próximos privilegiados nos pout-pourris de casamentos, os DJs terão que atualizar a série: “biquíni de bolinha amarelina- tomo um banho de chuva” pela música que tocava no Footloose seguida por “Like a Virgin”.
Muito espumante, tombos, conversas ininteligíveis e danças com garçons depois, um dia de ressaca fenomenal.

Domingo a noite uma sensação quentinha permanece, a despeito da solidão.
E penso nos relatos de separações doloridas, tardes de domingo solitárias, baixos salários, pais doentes e chefes malucos.

Sou arremessada à uma compreensão nova, surpreendente:
Meus amigos agora têm dores de gente grande.
E não sem certa tristeza resignada percebo o óbvio inesperado: somos adultos.
Por Mirabelle
(foto do filme: Albergue espanhol)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Frase do dia




"Antes mal do que só acompanhada"




por Jan, da facul, aqui, por Mirabelle,


indo na contramão da filosofia vigente de que qualquer homem


heterossexual com algum cabelo tá valendo como:


"Mais vale um cara feio com você do que dois lindos se beijando"

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Mistérios I - Da vida urbana: Geração espontânea no cesto de roupa



(da reportagem local)

Quando chove e os níveis de umidade aumentam, ocorre este fenômeno por ora inexplicável. Estudos científicos nos lares londrinos e no sertão do Cariri encontraram indícios que relacionam o incompreensível aumento do volume de roupa a ser lavada com o fungo Climatis demerdum, propiciado pelas chuvas.

Meg Sullivan, britânica que permitiu que os cientistas estudassem sua casa, declara: “Realmente não podemos entender. Quando eu acabo de estender a roupa que coloquei na máquina, o cesto já está mais cheio do que antes de colocar a roupa para lavar. É uma luta contra a natureza”.

Meg, mãe de três crianças, confirma que de momento não detectaram outros efeitos nocivos do fungo na vida familiar. “Mas eu sei quando ele se prolifera nos nossos cestos de roupa, é evidente”, afirma.

Os dados foram contrastados com outros coletados no sertão do Cariri, de clima seco, onde a população local não está acometida pelo problema da geração espontânea no cesto de roupa. “Mas eu bem que queria ter esse fungo aí”, confessou Maria da Penha Silva (que não é parente do presidente Lula), olhando para o filho deitado na rede só de short, com diarreia e sintomas de desidratação. “Assim quem sabe a gente não tinha mais que bater a roupa à mão e os meninos estariam melhor de saúde.”

No entanto, os cientistas responsáveis pelo estudo alertam que desgraça pouca é bobagem, e que dona Maria poderia estar morando num lugar frio e úmido, con Climatis demerdum e sem máquina de levar.

domingo, 28 de março de 2010

Lembra quando...



Lembra quando a gente podia falar mal das pessoas, fumar em lugares públicos e fechados (óóó!!!), abrir a torneira sem culpa, pôr sal na salada, tomar sol, e (pasmem) comer carboidratos a noite? Ah que tempo bom.


Karl Lagerfeld (estilista da Chanel há centenas de anos) escolheu 3 pontos que, em sua opinião, são a razão para o fim da conversa interessante no planeta terra: 1- a proibição da argumentação considerada politicamente incorreta, 2- os celulares com internet, mensagens, msn etc e 3- a proibição de fumar em bares e restaurantes. Sem poder falar mal de nada e nem de ninguém, com pessoas que, ao invés de conversarem com você estão “falando” com muitas outras pelos celulares (Iphones etc) e tendo que levantar pra fumar em outro lugar... resultado: o falecimento da conversação interessante.

Com a visão da nutrição atual, da dermatologia, da cardiologia, dos professores de academia, acho que a existência interessante está com seus dias contados.

Os padrões corretos estão se estreitando como naquelas cenas em que o Indiana Jones vai ficando sem ter onde colocar os pés sobre uma pedra que paira em lava incandescente.

Me lembro de tomar sol sem ficar repassando na minha cabeça as explicações aterrorizantes que a dermatologista deu sobre os efeitos nocivos dos raios UVA e UVB, e de tomar banho demorado no frio sem pensar nas pobres focas que estão ficando sem geleiras para morar.

Uma fatia de pão integral, porque tem x gramas de carboidrato, espera aí, a gente está comendo comida ou ração? Já teve uma época em que eu tinha medo de padaria, por causa da toda a farinha branca que morava lá dentro. Farinha branca é tratada como maconha e gordura então, como crack, e não falo de gordura de torresmo não, gordura de requeijão. Quando vou no MacDonalds (quase nunca eu juro!) olho em volta pra ver se não vejo ninguém conhecido, quem freqüenta bocas de fumo deve se sentir assim.


Se há anos as pessoas tinham pesadelos com o exorcista ou o Jason, o pesadelo atual são vários bolinhos de chuva e/ou rabanadas alados atacando. Bolinho de chuva ou/e rabanada: farinha branca (ó!), com açúcar (óó!!) frita (óóó!!!). Que delícia.

Uma amiga médica me falou que os padrões considerados normais pela OMS (organização mundial de saúde) em relação às taxas, de colesterol, triglicérides etc, vem sendo diminuídas a cada nova reformulação. Então, se ter “xy” de colesterol na década de 30 era bom, hoje não é mais. Sem entrar na paranóia de pensar o quanto a indústria farmacêutica (remédios e protetores solares), a de alimentos, a de cirurgia plástica ganham com tudo isso, penso nos padrões cada vez mais inatingíveis que nos são propostos.

Não me espanta se uma junta de médicos se reunirem e decidirem que sexo deve ser tratado como gordura. É melhor ser praticado apenas uma vez na semana, por conta da elevação da pressão arterial que acarreta.

Quando tudo o que é divertido e gostoso foi proibido ou espremido em um dia da semana, tem alguma coisa errada com o mundo!

Por Mirabelle