sábado, 21 de agosto de 2010

Deus e o que importa nessa vida


(clique na imagem e ela abrirá numa nova janela, clique novamente e ela será ampliada)

Mais uma de Deus. Ah, o Carlos, esse Carlos. Se toca, mané! Não dá vontade de dar um chacoalhão nesse homem? Gente, eu frequentemente penso: se até Deus tem um homem assim, do que é que eu, mulher mortal, posso reclamar? Hein? Hein?

Nos meus momentos de fúria com a raça masculina lembro disso. Obrigada, Rafa, pelas pílulas de inspiração. E de paciência.

Lembrando: a exposição do Rafa (alias Rafael Campos Rocha), pai e criador de Deus, mas não tão onipotente quanto ela (pois continua sendo um espécime da mencionada raça masculina, ao menos até me mandar uma foto montado de drag assinada por duas testemunhas com RG e firma reconhecida em cartório, coisa que não vai acontecer), continua em cartaz no Paço das Artes, na USP da Capital (tel: 11 3814 4832). Vai até dia 29. Corre lá!

Darling Darling

No México – comer, comer…



Morrendo de fome e na correria, comprei um sanduíche bem normalzinho numa loja de conveniência. Peito de peru, queijo, salada no pão de forma. E um mini saquinho de amendoim japonês. Qual não foi minha surpresa ao constatar que o sanduíche vem com seu sachê de salsita de jalapeños. Mas não parou aí: os amendoins japoneses também vêm com seu sachê de molhinho picante, desta vez de chipotles. Comentei com um amigo no Skype enquanto comia e ele disse que provavelmente a minha lata de suco del Valle também tinha picante, só que eu havia esquecido de agitá-la e estava tudo concentrado no fundo esperando para aplicar-me um golpe final...

Aqui tudo se come com pimenta, do café da manhã às laricas da madrugada, passando pelas frutas (sim, frutas, deliciosas frutas!). Diferente do que muita gente pensa, nem todas são super picantes. Conhecer as variedades é toda uma imersão na cultura mexicana. Deixe-se levar e prepare-se para a vingança de Moctezuma (= a caganeira que acomete os estrangeiros não acostumados à dieta local).

Outra das iguarias que eu muito aprecio destas terras são os nopales, as folhas de um tipo de cacto, que se podem preparar como outra verdura do cardápio e, na variação local do churrasco (carne a la brasa), grelhado na churrasqueira.

Órale e viva o bicentenario, guey.

Darling Darling

domingo, 8 de agosto de 2010

Misteriosos são os desígnios de Deus

(Clique na imagem e ela abrirá numa nova janela, clique novamente e ela será ampliada)

Continuando a jogar confete no trabalho do Rafa (aquele que agora publica tirinhas no Ilustríssima, da Folha, e ainda fala com os amigos da era pré-fama), compartilhamos com noss@s leitor@s a segunda entrega da série Deus, essa gosotosa.

Quem estiver de bobeira pela USP na capital pode ir até o Paço das Artes ver outras estripulias do rapaz expostas, inclusive os originais de Deus (não os do Gênesis, só os do Rafa mesmo). Ou então comprem o jornal de hoje!

Eu sou totalmente a favor dessa visão da deidade maior. Quero ser que nem ela quando eu crescer.

Bom fim de semana,

Darling Darling

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A elegância em tempos de Pânico



Sei que você querida, como todas nós (que Glorinha Kalil nos perdoe e Costanza Pascolato sinta piedade de nós), tem, por vezes, esse deslize de querer ser como aquela por quem seu digníssimo marido/namorado/caso- homens em geral- baba na tv (internet, email, revista).

Desejo indefensável de ser aquela celebridade da novela, aquela paniquete, aquela da propaganda da cerveja, de “meia-calça” jeans e blusinha amarela comprada na 25 (de março).

É verdade que os homens olham mais para as loiras de cabelão, silicone e calça/shorts de dançarina de funk. É verdade e ponto, fazer o quê?

Mas queridas, por mais que vocês mereçam...quando o desejo de ser a-nova-rainha-do-tchan te assaltar. Respire, contenha-se antes de ir ao cabeleireiro fazer mais luzes. Pense na menina que há em você, pense se a sua criança interior ficaria satisfeita em ver seus sonhos de princesa se reduzindo ao fundo de um programa de auditório.

Você, que com 6 anos sonhou com vestidos cor-de-rosa e príncipes em cavalos brancos, quer mesmo ser merecedora do título: “Rainha da Gaviões da Fiel” e ter a coxa igual a do Roberto Carlos? (aviso às meninas: Roberto Carlos o jogador do Corinthians, não o rei!)

Quando esses momentos de conflito existencial-estético acontecerem, reflita:

Você quer ser uma moça L´Occitane, do tipo: provence, côte d´azur, óleos essenciais de lavanda ou uma moça de aroma-idêntico-ao-natural-de-morango?

O marido de uma prima diz que quando sua amada besunta-se de cremes Victoria Secret ele sonha com chambinho.

Se bem que nada mais boring (para abusar do jargão fashion) que ser sempre elegante, sóbria e irrepreensível no figurino. Ou você gostaria de ser a Rainha-mãe, always de tailleur, pérolas e chapéu?

A Gisele Bundchen aparece, fora da passarela, sempre de calça jeans e camiseta branca. Quer coisa mais fina, mais blasé, mais elegante do que essa coisa: uso-Hering-e-fico-maravilhosa?

Ah Gisele, você não nos engana, a gente sabe que você não usa as roupas da C&A (loja para a qual foi garota-propaganda), e se usar, só em você que fica bom! (A gente também sabe que a Xuxa não usa Monange).

E vamos combinar que é fácil ostentar tamanha elegância depois dos bailes do Met (metropolitan museum of NY) e dos desfiles da Victoria Secret.

Nós também seríamos elegantérrimas no dia-dia se pudéssemos, de vez em quando, andar por aí com uma roupa de rainha da bateria com asas e auréolas. (Vide desfiles anuais da Victória Secret- será que o desfile também tem cheiro de chambinho?)

Acho o máximo essa coisa minimalista, essa coisa clássica, essa coisa Louis Vuitton, Maria Bonita, Celine. Todo esse lance nasci-rica-e-não-preciso-mostrar-nada-pra-ninguém.

Mas umas gostam de cheirar que nem chiclete, outras sonham em ser rainhas da bateria ou dançarina de programa de auditório só pra usar biquíni com salto... fazer o quê se aqui nos trópicos nossa musa é a Luma de Oliveira e não a Lady Dy?

Por Cocobelle

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Não devia...


Sou do tipo de pessoa que sempre morou em casa.
Antes eu desconfiava, agora tenho certeza.
Existem as pessoas-casa e as pessoas-apartamento.
Talvez elas sejam feitas de material diferente.

Existem as pessoas biflex (no sentido imobiliário).
Eu pensei que poderia ser uma delas.

Mudei-me para um prédio a despeito de todas as minhas intuições a respeito do que significa, para mim, um LAR.

Eu achava que isso estavam relacionado à silêncio, tranqüilidade, quietude e um sentido único de privacidade e unicidade que uma casa proporciona.
Uma casa com terra onde se põe o pé, nem que seja só no fim de semana, uma varanda para onde se sai quando dentro aperta e sufoca.
Lugar onde se fica dentro, mas também se sai para ver o céu, olhando de baixo pra cima, tombando a cabeça até abrir a boca (de um apartamento não dá para olhar para o céu assim, pra cima, só na diagonal).

Eu achava tudo isso, mas desconfiava que essas coisas pudessem ser daquelas tantas que a gente pega de pai e mãe e depois descobre que não nos pertence. Ao longo do tempo vamos devolvendo na lojinha parental capas e casacos pesados com os quais fomos vestidos.

Na minha casa (de criança) só tinha chocolate, tudo de chocolate. Doce com fruta era quase uma heresia na casa de chocolate, mas descobri que na minha casa cabe chocolate e cocada, sorvete de limão e torta de morango. Descobri também que gosto de cortina, de parede colorida, mas continuo gostando de sentar no chão (e não no sofá) na frente da TV e de pão com mel (tem coisa que fica sendo nossa mesmo!).

Bom, foi com esse espírito des-prendedor que encaixei sofá, tapete, panela e vontade de céu no conceito moderno e urbano de lar.

Eu já ouvi falar que dormir com a TV ligada pode causar convulsão (em pessoas propensas a isso, ou epilépticas mesmo) pelas ondas que entram no cérebro adormecido.

No momento me pergunto se é possível um ser humano convulsionar pelo repetido e ininterrupto APITAR do APITO que APITA cada vez que um portão (do meu prédio) abre e fecha (isso quando o controle funciona e o digníssimo condômino lembra de apertá-lo para fechar).

Meu prédio tem 2 portões, eles têm luzinhas com apitos que apitam muito alto. Na rua devem ter mais uns 5 ou 7 prédios em cada lado, cada qual com seus portões que também apitam, buzinam e esforçam-se por causar danos cerebrais nos ouvintes.

Fora todo aquele sentido de lar que os porteiros lutam em te proporcionar ao dizer que seu cachorro não pode encostar as patinhas no chão, que seu carro está estacionado fora da linha, que a grama, o jardim não são para serem pisados ou usados de maneira nenhuma, que um pano de chão da lavanderia está para fora da janela...enfim, todo esse clima de privacidade, de um-lugar-para-você-chamar-de-seu que só um prédio com regras condominiais, síndico e tal para te oferecer.

Sei que as pessoas se acostumam com apitos, com não ver o céu, com dormir com barulho de TV e nunca ficar com seu silêncio. Sei que as pessoas se acostumam a não ouvir a chuva descendo pela calha e chegando na terra.

Aliás o ser humano se acostuma a quase tudo.

Sei que a gente se acostuma... mas não devia.
Por Mirabelle

Imagem do filme Wall-e. Animação da Disney e Pixar que imagina uma espécie de futuro "Admirável mundo novo" (Huxley) em que as pessoas não andam, "comem" shakes e conversam apenas via tecnologia. De arrepiar!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Deus, essa gostosa

(Clique sobre a imagem e ela aparecerá sozinha, clique de novo e ela será ampliada)

Queridas e queridos:

É com muito gliter que penduramos no Varal a colaboração de Floquê de Baunilhê Sucrê, codinome Rafel Campos Rocha, um artista-cartunista em ascensão mas que continua (por enquanto) falando com a plebe desconhecida e as criadas da casa que estendem a roupa no quintal. Vocês podem encontrá-lo ministrando cursos sobre Arte Contemporânea no chiquérrimo e descolado Instituto Tomie Otake e também nos cadernos variedade da Folha de S. Paulo aos fins de semana.

Entre coelhos, dragões de komodo e ele mesmo, acabei escolhendo (óbvio) a série Deus, essa gostosa, para dividir com vocês.

No portifólio do moço: desenho de coelhos, esculturas de coelhos, instalações de coelhos, exposições em lugares descolados, cargo de síndico-mucamo do apê-república dele em Barcelona que ele transformou numa galeria de arte junto com outros artistas quando as ditas cujas os menosprezaram, tirinhas várias que burlam de si próprio (ah, nada mais "in" que essa coisa autobiográfica da arte contemporânea!) e um filho (work in progress).

Reclamações e maiores informações no blogue dele: http://rafaelcamposrocha.blogspot.com/

Aquele beijo,

Darling Darling

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Lady Gaga (parte 2) ou o "Oba-Oba pós moderno"

(continuação dos 2 posts anteriores)
A Madonna cantou “Like a virgin” vestida em uma espécie de vestido de noiva erótico com toques punks e esse visual era algo de controverso e chocante para a época (1984), mas perto do clipe de “Alejandro” (Lady Gaga) a Madonna realmente parece uma virgem.

Em “Bad Romance” Gaga aparece como uma mulher-lagarto (visual composto com peças de Alexander MacQueen) criada/fabricada num casulo, ela é então oferecida a uma homem, como uma espécie de encomenda. No fim ela mata o sujeito que a “escolheu/encomendou”.
Cena final: ela e um corpo carbonizado na cama.

Em “Telephone”, clipe que parece filme (tem 10 minutos) do Tarantino com cores fortes e cenas que nos lembram desenhos animados, ela e Beyoncé matam envenenado o namorado da Beyoncé e também todo o resto das pessoas da lanchonete.

O mais curioso, para mim, é “Alejandro”. Mistura uma estética militar de soldados e armas, com Lady Gaga vestida de freira, terço na mão e cruzes pelo cenário. Os soldados aparecem vestidos de meia calça arrastão e salto meia-pata enquanto ela, magrinha, branca, performa o lugar masculino em uma relação de domínio e força nas cenas filmadas em camas.

Uma foco constante dos clipes é a relação homem-mulher.
O domínio histórico masculino é invertido por uma mulher que não deixa de ser feminina, mas que passa a ter controle sobre homens, por vezes feminilizados. Aparece nos clipes e na voz um tom de raiva e de vingança contra os homens. Uma espécie de revanche (?).

Taí um prato cheio para discussões a respeito dos papéis masculinos e femininos e sobre todas as questões de gênero na atualidade.

Gaga aparece cada vez com um cabelo, com uma maquiagem.
Não sei se alguém a reconheceria caso encontrasse com ela na padaria, de moletom.

Não é a Stefani Joanne Angelina Germanotta (nascida em 1985, sim ela tem 25 anos!) que canta e dança, é um simulacro (agradeço aos universitários).
Criação estética que transcende a pessoa da artista, é mais que ela ao mesmo tempo que se desmancha em vazio se retirado o figurino, penteado e maquiagem.

Alguns filósofos e sociólogos (entre eles Baudrillard, Baumann) que discutem a nossa época definem-na como a era da incerteza, do vazio, na qual a imagem ganhou o lugar de onde antes havia sentido, consistência.

A pós-modernidade seria a era liquefeita, na qual a mercadoria propagandeada e consumida não tem valor de uso ou de troca, mas antes, de signo. Vende-se e consome-se imagens de poder, status e beleza que pretendem solucionar o vazio, mas só servem para aprofundá-lo.

Lady Gaga me ajuda a pensar em uma frase dita por um professor querido (e nunca antes entendida por mim), disse ele:

“Hoje nos resta a certeza da frustração ou oba-oba pós-moderno.”

Fico com o oba- oba da Gaga! Que explora, usa e abusa daquilo que também denuncia.
Por Mirabelle