quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

“Onde os fracos não têm vez” (pelo Fair Play)

Não gostei desse filme (ganhou o Oscar de melhor filme em 2008) e nem achei muita gente que entendeu o que os irmãos Coen (diretores) quiseram dizer com ele. Além disso, conseguiram deixar o Javier Barden feio, esse cabeleireiro deve ser mesmo mágico!

Não é daquele lugar arenoso onde um cabelo de escovinha mata pessoas usando um compressor de ar do qual estou falando. "Onde os fracos não têm vez" é bem aqui, na vida das pessoas-who-are-not-in-a-relashionship.

Só pra não falar no Mundo-dos-Solteiros, que fica parecendo vizinho do Mundo-de-Marlboro e do Mundo-das-Drogas. Mas sem receio de parecer piegas, falemos um pouco sobre esse mundo, o mundo no qual as mulheres perderam as estribeiras e onde os fracos não têm vez.

Quando eu falo “fraco” não me refiro a força de caráter necessariamente, mas à musculação mesmo, e táticas de luta israelense.

Uma amiga estava em uma balada abraçadinha com seu paquera quando, num lapso de segundo em que se soltou dos braços do seu futuro amor, levou uma cotovelada que a arremessou para frente, ao se voltar para trás chegou a ver o cara (o seu) empurrando uma senhorita que tentara beijá-lo a força, com uma chave de braço...

O banheiro feminino dessa balada parecia um filme pornô, comentou a amiga acotovelada. Tudo bem que é legal a moda voltar a ser sexy, mas parece que a ordem é: tudo-do-mais-curto-apertado-e-pequeno-junto-agora (mesmo que você não possa usar essas roupas pela falta de academia e excesso de pão de queijo)! Mini shorts com mega decotes e hiper saltos renegam a imaginação (o mais afrodisíacos dos órgãos) à absoluta inutilidade.

Como disse um amigo solteiro, utilizando do vocabulário futebolístico: isso não é Fair Play.

Um outro caso recente que me foi relatado: uma amiga 1 tentando “arrumar” uma moça para seu amigo, cenário: bar. A moça (reparem nos pronomes de tratamento delicados para amenizar o comportamento das criaturas), ao ser apresentada ao amigo da amiga logo se sentou em seu colo tranqüilizando-o sobre o fato de que ela o beijaria naquela noite. O beijo não aconteceu naquela ocasião, pelo gosto que o rapaz em questão tem pelo que é minimamente razoável. Em um outro encontro a moça senta-se novamente no colo do moço reclamando sobre os homens a verem apenas como um objeto sexual...

Feministas não me condenem, a liberação sexual é uma preciosidade que foi entregue à minha geração de presente e nós agradecemos de coração, de boca, de perna etc. Mas me parece que as mulheres estão atacando com táticas masculinas de guerra que mesmo eles só apreciam num filme do Van Damme.

É como se tivéssemos esquecido do que realmente seduz e conquista. Fazer charme, beicinho, ligar pra ele no meio da tarde pra perguntar qual a marca da bateria que você põe no seu carro, ser carinhosa, delicada, tudo isso dirigindo seu próprio carro, ganhando seu dinheiro e preferindo, por vezes, programas com suas amigas do que sair com ele.

Podíamos começar com algumas regras básicas do Fair Play como, por exemplo: chave de braço não vale, nem dedo no olho, enfim, coisas que o Rambo faz no Vietnã não devem ser utilizas como táticas de conquista OK?
Por Mirabelle
(da foto, dica: se vc estiver triste e cabisbaixo/a- google images Tom Ford- alegra qualquer um)

A Gata e o Homem-Barco


A gata era gata não por atributo de beleza, mas porque se enroscava, e miava. Tinha uma casa colorida, com bolinhos que cresciam no forno de boneca deixando tudo com cheiro de açúcar.

O homem-barco tinha um sofá coberto com uma manta, coisas que sempre estavam no mesmo lugar em cima da mesa e um quadro, não pendurado na parede, com uma camisa de time de futebol dentro.

A gata era mulher-lugar, o homem navegava e se encostou ao lado dela.

Ela não sabe se era porque ele a chamava de gatinha que se enroscava daquele jeito no pescoço dele. E enroscava que nem gato se enrosca, passando por baixo da perna e esticando pra encostar, fazendo carinho em si mesma. De noite era bom de acordar só pra tocar qualquer parte nele, o lado do pé, o ombro.

E ele era grande como um barco, homem-lugar onde ela queria ficar, suspirava pra si mesma, para sempre. Achava que nunca ia cansar (ele tinha medo que ela enjoasse) daquela conversa silenciosa entre as peles deles.

E que nem gata que acorda e se aconchega girando no mesmo lugar, ela fazia no peito dele, como se coubesse inteira, encolhida ali. Ali onde dava vontade de sorrir, e ele vivia perguntando o porquê ela ria, pensando que ela escondia algum segredo, mas nada era secreto naquele sorriso, era um sorriso de contente de quem acha um lugar que tem um cheiro tão bom que dá vontade de rir.

“Coisa de bicho mesmo isso parece”, pensava ela, quando fazia os bolinhos matutando que ele nem devia achá-la bonita assim, perto das outras mulheres, que ela bem sabia, ele também chamara de gatinhas.

A gata tinha montado sua casinha com fotos e tapetes, almofadas de borboleta e lixeiras de rosa, abtjours e velas. Era um lugar pronto para se chegar, visitar, e quem sabe ficar.
O homem-barco atracou ali na casa-da-manta-no-sofá por acaso, veio navegando sem saber a direção, ele diz que perdeu sua bússola numas tempestades por onde passou. Nessas tempestades ele deixou outras coisas também, que ele não sabe direito, mas lhe fazem grande falta.

A gata mudou e trouxe sua casa dentro dela, ela chegou e a casa foi saindo e se ajeitando pelas paredes e pela varanda do lugar novo. Ela sabe que casa não é lugar fora, parede de tijolo, madeira e tinta, mas lugar dentro que se leva aonde se vai.

O homem-barco não trouxe a casa dele dentro, deixou n´outro lugar, ele ainda não sabe (ou tem medo de) ir buscar. A casa dele é que faz falta, porque sem casa-dentro não se tem lugar onde acomodar as visitas quando elas chegam. Mas a gata encontra uma almofada no peito dele, e fica ali, quentinha.

A gata queria falar pra ele que o que ela gostaria, o que ela deseja mesmo é que ele possa ir buscar o coração e trazer pra perto, e assim quem sabe encontrar o caminho pra casa no sorriso dela.
Por Mirabelle
("Find my way home to tour smile"- Smile, letra de David Gilmore)