terça-feira, 8 de setembro de 2009

Quase 30

Eu brincava de Barbie, sim, dançava o lado A e o B de todos os discos da Xuxa e adorava tanto as Paquitas que fiz um aniversário com esse tema, fantasia mandada fazer com ombreiras douradas e tal. Não vou me desculpar!
Sinto dever envergonhar-me dos meus gostos infantis e dizer que “Eu gostava mesmo é de brincar com os meninos”- Desde quando pega mal ter sido menina? Eu fui, e nos anos 80, fazer o quê?
Pelo menos eu era criança nessa década elegante e não usava calça baguie (não tenho idéia como escreve essa palavra) nem permanente no cabelo repicado no maior estilo “Flashdance", ui!
30 anos para eu-menina era uma mulher adulta com tudo o que esse conceito contém: marido, casa, filhos, trabalho e escarpims. Um de cada cor: laranja, amarelo, rosa, verde e roxo. Nenhum exemplar feminino com o qual eu convivia usava nem sapato de salto, mas eu tinha certeza que mulheres adultas usavam os mesmos sapatos que as minhas Barbies.
Eu mais ou menos sabia (na época da Barbie) como seria até aqui. Ou pensam que brincar de Barbie é brincadeira boba de menina? Não. É uma coisa muito séria quando a gente, menina, debaixo do beliche, inventa e traça os passos do nosso futuro usando a Barbie e um Ken como personagens. Que fina ironia o parceiro chamar Ken- quem? A pergunta está não-respondida por princípio.
Bom, tenho quase 30. Uma cachorra, não pinto mais o cabelo, até tenho um sapato azul, mas estou tão longe do que eu pensava que seria, que começo a desconfiar que daqui para frente o jeito vai ser inventar, na frente do espelho de cada manhã, o que quero ser por aquele dia. Talvez eu soubesse, sem saber, que precisaria de um sapato de cada cor.
por MIRABELLE